

Os bivalves, como mexilhões, amêijoas, berbigões, ostras e conquilhas, são produtos muito apreciados pelos consumidores e uma presença habitual na restauração portuguesa. No entanto, estes alimentos podem representar um risco para a saúde pública quando contaminados com biotoxinas marinhas.
Produzidas por determinadas microalgas presentes no ambiente marinho, estas toxinas podem acumular-se nos bivalves e provocar intoxicações alimentares graves.
Neste artigo explicamos o que são as biotoxinas marinhas, quais os principais riscos para a saúde e como garantir a segurança alimentar na aquisição e comercialização de bivalves.
As biotoxinas marinhas são substâncias tóxicas produzidas naturalmente por algumas espécies de microalgas presentes nos oceanos e zonas costeiras.
Os bivalves alimentam-se através da filtração da água do mar e podem acumular estas toxinas nos seus tecidos sem apresentar sinais visíveis de contaminação.
Isto significa que um bivalve contaminado pode parecer perfeitamente normal, mas representar um risco significativo para a saúde humana.
Os bivalves são organismos filtradores.
Durante a sua alimentação, filtram grandes volumes de água para captar nutrientes e, juntamente com estes, podem acumular microalgas produtoras de toxinas.
Entre os bivalves mais frequentemente associados à acumulação de biotoxinas encontram-se:
A concentração das toxinas varia consoante:
Existem três grupos principais de biotoxinas associadas ao consumo de bivalves contaminados.
A DSP (Diarrhetic Shellfish Poisoning) é uma das intoxicações mais comuns associadas ao consumo de bivalves contaminados.
Os sintomas surgem normalmente entre 30 minutos e algumas horas após o consumo.
Os mexilhões, conquilhas e berbigões estão entre os bivalves mais frequentemente afetados.
A ASP (Amnesic Shellfish Poisoning) afeta principalmente o sistema nervoso central.
Os sintomas gastrointestinais costumam surgir nas primeiras 24 horas, sendo seguidos por manifestações neurológicas.
Este tipo de toxina é frequentemente encontrado em:
A PSP (Paralytic Shellfish Poisoning) é considerada uma das formas mais graves de intoxicação por biotoxinas marinhas.
Nos casos mais graves pode ocorrer:
Os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 2 horas após a ingestão dos alimentos contaminados.
Não.
Este é um dos erros mais frequentes entre consumidores e operadores alimentares.
Ao contrário de muitos microrganismos patogénicos, as biotoxinas marinhas não são destruídas pela confeção.
Mesmo após:
as toxinas podem continuar presentes nos alimentos.
Nem sempre.
Os processos de depuração utilizados para reduzir a contaminação microbiológica dos bivalves apresentam eficácia limitada na eliminação de determinadas biotoxinas.
Por isso, a depuração não deve ser considerada uma solução para este problema.
Infelizmente, não é possível identificar a presença de biotoxinas através das características sensoriais.
Os bivalves contaminados geralmente apresentam:
✅ Cor normal
✅ Cheiro normal
✅ Sabor normal
✅ Aspeto normal
Esta é uma das razões pelas quais o controlo oficial e a monitorização das zonas de produção são tão importantes.
A aquisição de bivalves deve ser feita exclusivamente através de fornecedores licenciados e devidamente controlados.
Isto garante maior rastreabilidade e conformidade legal.
Os bivalves devem ser acompanhados pela respetiva documentação de rastreabilidade.
Esta informação permite identificar:
Em Portugal, o acompanhamento das zonas de produção é realizado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
O estado sanitário das zonas de produção pode determinar:
Estabelecer relações sólidas com:
ajuda a reduzir significativamente os riscos associados às biotoxinas marinhas.
Em caso de alerta alimentar, a rastreabilidade permite identificar rapidamente:
Esta capacidade de resposta é essencial para proteger consumidores e minimizar impactos no negócio.
As biotoxinas marinhas devem ser consideradas na análise de perigos do sistema HACCP sempre que o estabelecimento manipula ou comercializa bivalves.
O plano HACCP deve contemplar:
A prevenção continua a ser a melhor estratégia para garantir a segurança dos consumidores.
As biotoxinas marinhas representam um dos riscos naturais mais relevantes associados ao consumo de bivalves.
Uma vez que não podem ser eliminadas através da confeção e não alteram o aspeto dos alimentos, a prevenção depende essencialmente da monitorização das zonas de produção, da escolha de fornecedores autorizados e da implementação de sistemas eficazes de rastreabilidade.
Na restauração e no comércio alimentar, a segurança dos bivalves começa muito antes da confeção.
Com a SARA HACCP, é possível reforçar o controlo documental, melhorar a rastreabilidade e garantir uma gestão mais eficiente dos riscos associados à segurança alimentar.